Dias d’Ávila, BA – A cena parece novela, mas é a realidade crua da Bahia. Na noite da última quinta-feira (21), criminosos invadiram o Cemitério Municipal de Dias d’Ávila, na Região Metropolitana de Salvador, e metralharam o caixão de um adolescente de apenas 17 anos .
O nome dele era Uanderson Nascimento Lima. Morreu dois dias antes em uma ação policial. Já no enterro, nem descansar em paz puderam deixar .

Vídeos gravados por testemunhas mostram o desespero: correria, gritos, famílias se jogando no chão pra tentar se proteger dos tiros. Ninguém foi atingido por milagre . Horas depois, a polícia encontrou um dos suspeitos. Houve confronto. Tiros. O suspeito morreu
Enquanto isso, lá nas redes sociais e nos palanques…
O governador da Bahia e um certo senador — famoso por querer criar um “discurso de segurança” e posar de durão — estão ocupados. Com o quê? Dançando. Posando pra foto. Discursando firmeza enquanto a população se desespera dentro de um cemitério.
A realidade do povo baiano é outra:
Filiares sendo metralhados dentro de cemitério? Aconteceu. Duas vezes. Em janeiro deste ano, criminosos incendiaram um caixão em Coaraci, no sul do estado .
Reforço policial? Chega atrasado. Quando chega, é pra trocar tiro e deixar mais um morto no chão.
Paz? Isso é luxo que pobre não tem.
O discurso não paga enterro
O governador e o senador falam bonito. Prometem “pacificação”. Montam comitês. Posam de heróis em fotografia. Mas cadê a segurança que não chega?
Cadê o direito de enterrar um filho sem medo de ser metralhado?
O povo da Bahia não quer dança. Quer dormir tranquilo. Quer ver o filho voltar vivo da rua. Quer enterrar os seus com dignidade, sem tiro e sem fogo.
Enquanto as autoridades dançam e discursam, o baiano continua sofrendo. A violência continua reinando. E o cemitério — lugar de saudade e silêncio — virou extensão do campo de batalha.
Bem-vindo à Bahia. Onde até os mortos levam tiro e os vivos imploram por paz.















Deixe um comentário