Desde que cheguei para morar em Teixeira de Freitas, no Extremo Sul da Bahia, e trabalhar na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), duas coisas me incomodavam profundamente: a primeira, eu vir de Manaus, no Amazonas, onde, o dia 20 de novembro era feriado da “consciência negra”. O outro, foi a inauguração do Colégio da Polícia Militar – CPM Anisio Teixeira. Isso só pode ser um acinte, uma forma de tirar o sono eterno do hoje, patrono da Educação Pública Brasileira, o baiano Anísio Teixeira.
Participei ativamente, dos dias 27 ao dia 29 de novembro, como representante da UFSB na Cátedra da UNESCO, a cidade que educa e transforma, do II segundo seminário “As cidades que se educam, se transformam”, promovido pela Cátedra e pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFBA), por meio do Observatório Nacional da Educação Integral (Obedin). Se havia alguma dúvida, e para mim, nunca houve, ficou claro uma coisa: escolas em tempo integral não se confundem, nem de longe, com “escolas militares”.
O incômodo de quando passei a morar em Teixeira de Freitas se intensificou: como aceitar que uma escola militar possa receber o nome de Anísio Teixeira? É o suprassumo da incorrência misturado com uma violência inaceitável em relação ao grande pensador baiano. Certamente, Anísio Teixeira deve estar inquieto no túmulo. Temos o dever de lutar contra esta denominação desprezível e insana. A memória de uma vida dedicada à educação não pode mais ser tão vilipendiada. Nós, os educadores que respeitamos e defendemos as ideias de Anísio Teixeira não temos mais o direito de nos calar.
É preciso se formar um levante em todos os cantos deste Estado para dizer não ao nome desta escola. Ou mudam o nome ou, se o desejo era homenagear algum militar de patente, que o façam. Mas, não podemos mais deixar que Teixeira tenha pesadelos em seu túmulo. Com este texto, espero que tanto individualmente quando por meio das nossas entidades de classe e os movimentos sociais organizados lideremos um levante para modificar o nome do CPM Anísio Teixeira.
Além de um equívoco conceitual, manter este nome da principal escola de tempo integral de Teixeira de Freitas é um atentado à história e à memória de quem sempre lutou pela democracia e por uma escola em tempo integral baseada no respeito às diferenças e à democracia. Manter este “batismo” equivocado é negar a história de Anísio Teixeira e da Educação na Bahia.
Algo precisa ser feito. Não tenho os caminhos legais para tal, só tenho a indignação cravada no peito. A Secretaria de Estado da Educação, por meio da secretária Rowena Brito, ou algum deputado ou deputada estadual da “base aliada” têm o dever de desfazer este erro histórico. Estaremos atentos!
Também espero contar com o apoio da Cátedra da UNESCO, A cidade que educa e transforma, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB) e de todas as entidades que defendem e respeitam a educação em tempo integral na essência. Enquanto o Colégio Militar Anísio Teixeira (COM Anísio Teixeira), do município de Teixeira de Freitas, mantiver este nome, tenho certeza de que nenhum de nós poderá dizer ou pensar: descanse em paz, Anísio Teixeira. Que tenhamos a sabedoria de devolver a paz ao ilustre pensador baiano para que sua história de vida e de luta não seja maculada por tão esdruxulo batismo post-mortem.
Professor Gilson Vieira Monteiro
Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB)
Instituto de Humanidades Artes e Ciências (IHAC)
Campus Paulo Freire (CPF)






Desde que cheguei para morar em Teixeira de Freitas, no Extremo Sul da Bahia, e trabalhar na Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), duas coisas me incomodavam profundamente: a primeira, eu vir de Manaus, no Amazonas, onde, o dia 20 de novembro era feriado da “consciência negra”. O outro, foi a inauguração do Colégio da Polícia Militar – CPM Anisio Teixeira. Isso só pode ser um acinte, uma forma de tirar o sono eterno do hoje, patrono da Educação Pública Brasileira, o baiano Anísio Teixeira.









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